Arquivos

Escolhas

Escolha. Palavra peculiar, simples. Modesta. E que me leva a refletir muito nos últimos meses sobre assuntos que considero “chaves” em minha vida. Com ela, vem outra: consequencia. Esta insiste em ser absolutamente contrária a primeira. Apesar das diferenças, ambas caminham paralelas. Conforme faço escolhas, obtenho as improváveis consequencias. É assim para todos nós. Neste jogo de “vai-e-vem”, cá estamos.

Em Janeiro passado, estive de férias do trabalho. Difícil imaginar uma pessoa tão agitada como eu, em função da rotina, ter por direito um tempo para puro e simplesmente não fazer absolutamente nada. Merecidamente, sejamos justos.  Embora tenha sentido muita a falta daquilo que faço com amor, não nego, aproveitei ao máximo o período de descanso. Foi bom para novas ideias que se aglutinaram com os mesmos Ideais. E o jornalismo, pela primeira vez, ficou em segundo plano.

Durante este período vaguei um pouco. Realizei algumas viagens, a maioria delas em família. Por ora, destaco uma especial com os meus avós. Na ocasião, nosso destino foi a pacata São Joaquim da Barra, cidade com pouco mais de 45 mil habitantes, localizada a 60 quilômetros de Franca, ambas no interior paulista. É lá que está “refugiada” parte de quem assina Rocioli.

Em pleno dia de semana, cuja rotina obriga ao trabalho grande parte da sociedade, fui na contra-mão desta realidade e vivi uma experiência de dia de feriado. No Centro da cidade, na Praça Sete de Setembro, dei o luxo de sentar-me em um dos bancos madeirados e comecei a folhear uma revista que havia acabado de comprar. Hora não era motivo de preocupação naquele dia. Quando me dei conta, a leitura já havia avançado grande parte. Assim como o tempo. Fechei a revista e comecei a prestar atenção no “causo” dos aposentados que ali se encontram diariamente. Participei de alguns deles também e dei boas gargalhadas.

Não recordava de ter tido a oportunidade de viajar com os meus avós, só nós três. Não poderia perder esta chance, já que tudo havia calhado para isso. Apesar deles não terem me convidado para a viagem, aceitaram prontamente a companhia quando a lhes ofereci. Por mais simples que fosse o passeio, para eu valeria o fato de estar com eles.  E nada mais do que isso.

Poucos dias depois, vi meu avô Alayr ser internado. Uma febre alta, embalada também pela pressão arterial elevada, e um desânimo aparente. Era a Endocardite – quando há inflamação das estruturas internas do coração, causada muitas vezes por uma bactéria - aparecendo pela segunda vez em três anos. O fato nos preocupou profundamente, até mesmo por causa da idade dele que havia já avançado a casa dos Setenta.

“O fato da doença repetir, não é um bom sinal”. A frase curta dita pelo médico que cuidou do caso, ficou por algumas semanas cravada na mente dos familiares, até que os avanços clínicos começaram a surgir. Foi um tratamento longo, caro e que exigiu muita paciência do meu avó. E de nós também. Foram quase trinta dias internado – sem descartar uma complicada cirurgia – e outros quarenta levando injeções, até que a Cura foi finalmente constatada. E só com medicação.

Em casa, a recuperação foi mais rápida e saudável. Para o alívio dele e nosso.

Sessenta dias depois, minha avó Anézia, que já vinha reclamando de dores no peito, vai parar no hospital, após uma festa de aniversário do meu primo Estevão. A pressão arterial alta (na casa dos 18 por 9), fortes dores no braço esquerdo e irritabilidade eram apenas um dos sintomas de que algo não estava bem. Inicialmente os médicos desconfiaram de Infarto - quando uma artéria coronária está contraída ou obstruída, parcial ou totalmente, sofre com a pressão de sangue ao coração.

Não era.

Após controlar a pressão, ela voltou para casa. E mais tarde, novamente, ao hospital. Uma nova crise e o começo da nossa angústia. Novos exames foram realizados. No Hospital do Coração, em Franca, os médicos realizaram o conhecido Cateterismo, quando um tubo longo, fino e flexível é colocado em uma veia até o coração, com a finalidade de retirar placas de gordura que impedem o bom funcionamento do coração.

Ela foi encaminhada para a Unidade Coronária – uma UTI do coração –  do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (UCO) com urgência. Exames davam conta da gravidade e as informações desencontradas  só aumentavam nossa angústia. Dias depois, Dona Anézia realizou uma angioplastia, uma pequena cirurgia que tem por objetivo desobstruir a veia. Minha avó sofreu. Passou mal, sentiu dores, teve hemorragia, teve que ser medicada, recebeu a doação de sangue, oxigenação e, depois de tudo isso, para o nosso amparo, ficou bem.

Ganhou alta e hoje se recupera em casa.

Independente dos fatos a despeito da saúde dos meus avós, aprendi nestes meses que verdadeiramente devemos aproveitar a vida como o filósofo mesmo propõe:Carpe Diem, viva o momento! Ainda bem que eu soube fazer a melhor escolha, lá, em Janeiro.  Não arrependo daquela viagem. Primeiro porque me diverti muito. E depois, porque tive a oportunidade de aprender um pouco mais com quem sempre me ensinou.

Rogo a Deus, apenas, agora, que continue me concedendo a serenidade necessária para realizar, sempre, as melhores escolhas.

Thiago Rocioli

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.